quarta-feira, 31 de maio de 2017

As misteriosas profecias de Padmasambhava


Um dos locais mais misteriosos e isolados do planeta, o Tibete possui uma história cercada de lendas e mitos ainda pouco conhecidos no ocidente. O país que deu origem a grandes iogues e mestres de meditação tem sido hoje estudado por pesquisadores ocidentais que sempre se deparam com eventos e fenômenos inexplicáveis. Grandes sábios eremitas analfabetos que desenvolviam complexos sistemas de meditação após receberem visões de mestres de outros tempos, espíritos que destruíam monastérios, e monges capazes de atingir estágios profundíssimos de meditação estão entre alguns dos mistérios do Tibete. Mas sem dúvida, um dos mais curiosos são as profecias e projeções futuristas que estes meditadores realizaram e impressionantemente se concretizaram...

''Quando os pássaros de ferro voarem e os cavalos de ferro andarem sobre rodas, o povo tibetano será espalhado como formigas por todo o mundo e o Dharma irá para a terra dos homens vermelhos.''

Essa frase aparentemente estranha é atribuída ao grande mestre budista, Padmasambhava, responsável por disseminar os ensinamentos budistas pelos reinos antigos dos Himalaias, em especial o País das Neves, conhecido atualmente por Tibete. 

Segundo, Guru Rinpoche (outro título atribuído ao grande mestre), haveria no futuro uma grande catástrofe que dispersaria todo o povo tibetano pelo mundo, mas que ajudaria a levar o Dharma (ensinamentos budistas) para a terra dos homens vermelhos.

Mas quem seriam esses homens afinal de contas? Durante muito tempo, os povos indígenas da América ficaram conhecidos por sua pele de tonalidade morena avermelhada. Naqueles tempos, entre os séculos VIII e IX, o budismo só era conhecido em países asiáticos e demoraria séculos até ser conhecido pelos ocidentais. Embora tenha-se registros de que os gregos e romanos tivessem tido contato com a cultura budista, poucas trocas culturais entre eles foram realizadas ao ponto de se firmarem no ocidente.

Sendo assim, apenas no século XIX, o budismo foi estudado por filósofos e pesquisadores europeus. Contudo, na América, o Dharma ainda era praticamente desconhecido, ficando restrito a templos construídos por imigrantes japoneses e totalmente fechados aos "brancos". E desta forma permaneceu até meados de 1950.

Exatamente na metade do século XX, a República Popular da China realizou uma incursão militar pelos himalaias, reivindicando que aquele território pertencera historicamente ao império chines e deveria ser recuperado. A maioria dos críticos às ações chinesas afirmam que tudo não passava do mais puro interesse pelos gigantescos recursos minerais e hídricos do Tibete, onde inclusive nasciam os principais rios que escoavam pelas planícies chinesas. Controlar aquela região era de suma importância para os planos industriais e megalomaníacos do governo comunista chinês.

Mas e os tais "pássaros de ferro e cavalos sobre rodas"?

Utilizando-se desse pretexto, o Tibete foi invadido pelos chineses que naqueles tempos já possuíam grandes caminhões de guerra e blindados, além de potentes aviões militares. Seriam estes os cavalos e pássaros a quem Guru Rinpoche se referiu? Creio que sim. Em contrapartida aos modernos equipamentos chineses, o pobre povo tibetano, acostumado a sobreviver sob as difíceis condições ambientais dos himalaias, ainda dispunham de pouquíssimos recursos militares. Relatos contam que as principais armas do povo tibetano na década de 1950 eram o arco e flecha e lanças!

Guerreiros tibetanos portando lanças

A invasão obviamente foi um sucesso para os chineses, após pequenas batalhas contra um povo totalmente incapaz de se defender, um resultado espantoso: um milhão de mortos tibetanos, centenas de milhares de exilados e outros milhares presos pelos soldados do exército comunista. Templos budistas sagrados foram totalmente destruídos, estátuas e imagens milenares queimadas e fuziladas pelas metralhadoras. E uma população miserável sob o domínio de um ditador.

Soldados chineses puxando caminhão em terreno acidentado dos himalaias

Após a invasão, grandes mestres e iogues tibetanos se exilaram na Índia, onde tentaram reconstruir suas vidas da melhor maneira possível e sempre levando consigo os preciosos ensinamentos budistas e seus tratados sobre os mistérios da mente, descobertos após milênios de práticas meditativas. Muitos desses mestres foram acolhidos por países americanos, em especial, os EUA, Canadá e alguns países latino-americanos.


Com a chegada destes mestres, pela primeira vez na história, o budismo foi ensinado na América e Europa de forma ampla e acessível a toda a população. Embora esforços anteriores de outras tradições budistas tenham sido empreendidos, foi somente com os tibetanos, há mais de mil anos ensinados por Padmasambhava, que o Dharma finalmente se firmou na "terra dos homens vermelhos".

Hoje o budismo tibetano pode ser encontrado em todos os países americanos, inclusive o Brasil, representado por grandes centros budistas como o Chagdud Gonpa Brasil, o CEBB - Centro de Estudos Budistas Bodisatva, o Drukpa Brasil, entre outros.

Esse texto apresenta apenas uma das previsões realizadas por Guru Rinpoche, pois é possível encontrar na literatura tibetana muitos outros exemplos, como os Termas, tesouros espirituais escondidos por ele antes de deixar o Tibete e que foram encontrados por monges centenas de anos depois, exatamente como havia previsto. Um bom exemplo seria o terma de Tara Vermelha, que será apresentado em um futuro artigo aqui na Taberna do Fauno.

Seria apenas uma coincidência ou Padmasambhava possuía realmente poderes psíquicos e visualizava os tempos vindouros? Os mais céticos dirão que não passa de uma mera coincidência, os mais crentes talvez tenham fé nas profecias, mas os mais sábios, sem dúvida, questionarão ambas as afirmações.

Fontes: Buda Virtual
Documentário - Quando o pássaro de ferro voar (2012)
Documentário - Iogues do Tibete (2007)
Livro - Lótus Branco: Uma explicação da Prece de Sete Linhas a Guru Padmasambhava.

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